sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Hora de arrasar

     Rolava na cama com um calor insuportável, acordei um tanto sonolenta, lavei o rosto e olhei-me no espelho. Não era eu. Talvez fosse a sombra fugaz do que fui um dia, mas não era eu, definitivamente. Aqueles cabelos brancos, as bolsas debaixo dos olhos inchados, as marcas de expressão... talvez eu devesse fazer uma cirurgia plástica, viajar pra Tailândia, ter filhos. Talvez eu devesse quebrar o espelho e dizer "foda-se" ao mundo. Mandar aquela vizinha fofoqueira para a p*** q** p****, e aquele garoto que sempre deixa a bola cair no quintal quebrando minhas plantas, enfiar a bola no meio do **. Talvez eu devesse mostrar os seios na rua em prol de algum protesto, ir a uma casa de swing, transar com uma garota e alguns caras estranhos. É fácil pensar em coisas bizarras enquanto se prepara a tinta de cabelo.
     Talvez eu devesse ser um pouco mais "eu". Melhor não, mais insuportável do que já sou, nem eu me aguentaria... Acho que virar gente seria mais interessante, mas nunca compreendi porque tenho de escutar as coisas e ficar quieta como se tivesse se tivesse culpa. Cada um tem culpa do que faz, não do que os outros fazem, além do mais, não tenho a obrigação de sair por aí sendo simpática como todo mundo, coisa mais hipócrita, sair sorrindo pra quem se detesta, isto sim é detestável. Não nasci pra ser hipócrita e nem pra ser pau mandado de macho. A verdade é que nasci com o sexo errado: deveria ter nascido homem, assim não precisaria estar com rodelas de pepinos sobre os olhos e argila na cara...
     De repente o mundo não é tão cruel quanto parece, talvez eu quem faça escolhas cruéis comigo mesma, não por masoquismo, talvez pra testar o meu próprio limite, até onde eu posso ir tentando ser igual a todo mundo, tentativa frustrada, óbvio. Frustrada mais para quem está ao meu redor do que para mim. Afinal, pouca gente entende que mulher também tem "culhões".
     Agora sim! Cabelos vermelhos e brilhantes, olhos bem maquiados e pela alva! Sabia que havia algo de errado com aquele espelho...
     Vamos sair pela noite, queridos saltos altos, é hora de arrasar!

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