quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre teu peito


     Me agarrei aos pêlos do teu peito e entrelacei minhas pernas entre as suas. O tempo é realmente implacável, nos rouba a juventude e o vigor. Olhei no relógio e tinha uma única certeza: precisava sair dali o quanto antes.
     Senti teus lábios roçando minhas costas enquanto amarrava meu vestido e subindo para minha nuca enquanto abotoava minhas sandálias... Olhei novamente o relógio, era o momento, se não fosse embora naquele instante não conseguiria mais sair de lá. Peguei minha bolsa e dirigi-me à porta, meu pulso foi segurado e uma voz máscula proferiu: -Se você for embora, não volte mais.
     Por um segundo hesitei, mas foi apenas um segundo, sem olhar para trás caminhei em direção à porta, abri-a e nem me dei ao trabalho de fechar, desci as escadas e uma lágrima ameaçou rolar. Me contive.
     Em meus contos de fadas, gostaria que ele descesse as escadas correndo e fosse atrás de mim, mas sabia que isto não iria acontecer, e não aconteceu. Voltava pra casa meio desolada, cabisbaixa, mas sabia que havia tomado a decisão certa.
     Quando chego próximo à minha residência, vejo algo surpreendente: Ele encostado no carro, no portão de minha casa, os braços cruzados e uma expressão sarcástica no rosto.
     Me agarrei aos pêlos do teu peito e entrelacei minhas pernas entre as suas.

Um comentário:

  1. E afinal, quem errou? Ele por te procurar ou você por ceder? Ou por ter ido embora?

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