terça-feira, 9 de março de 2010

Vermelho


E um dia eu parei de andar em círculos. Concluí que levava uma vida levianamente mesquinha, quase insossa. E não falo por acordar dias à fio com aquele gosto de absinto na boca, levando mais outros longos dias para lembrar-me de minhas travessuras noturnas. Vagava por tantos lugares diferentes, em busca não sei de quê, talvez de mais adrenalina. Mas o caso é que sempre acordava no mesmo lugar: Deitada numa cama de solteiro, as paredes brancas, as miniaturas na prateleira, o perfume Armani na cabeceira junto ao Tarot, definitivamente aquele não era meu quarto, nem minha casa, mas o casaco na cadeira era meu. Agora acabou! Parei de correr sem sair do lugar! Agora acordo com gosto de cabo de guarda-chuva na boca, atravessada numa cama Queen em um quarto vermelho sangue, olhando para a blusa pendurada no meu guarda-roupa: Ela não é minha.

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