quinta-feira, 4 de março de 2010

Jack Daniel's e Carlton


O domingo já está acabando e meu pai não pára de esbravejar há umas duas horas. Sou capaz de ver sua boca espumando como a de um cão raivoso, e para falar a verdade, não estou prestando atenção em uma palavra do que ele diz. Tudo começou sexta-feira à noite...
Terminei o trabalho da faculdade por volta de 1h da madrugada, estava sem sono, então coloquei um cd do "Heart", abri uma garrafa de "Jack Daniel’s", acendi um "Carlton" e fiquei sentada no quintal olhando a lua que mais parecia um grande queijo Emmenthal. Após quase meia garrafa de uísque tive uma idéia: Voltei para o quarto, coloquei o primeiro vestido que vi, peguei uma bolsa, coloquei roupas e outras coisa que julguei precisar como cigarros e cds, a pus no ombro aberta mesmo, peguei a garrafa de Daniel’s, celular, chaves do carro, joguei tudo no banco do passageito e assoalho. Liguei o carro. Enquanto o portão se abria me perguntei o que estava fazendo. Ignorei, coloquei um cd do "Kansas" e ao som de "Carry On My Wayward Son", às 2h da manhã dirigia embriagada rumo à casa dele...
Parei o carro na frente de sua casa, olhei no relógio: 2h40. Acendi um Carlton, tomei mais alguns goles de uísque, acendi outro cigarro. Ganhava coragem para tocar a campainha, estava preparada para escutar qualquer coisa, afinal, não era hora de se fazer visita. Saí do carro e toquei a campainha, alguns minutos depois ele apareceu com cara de sono e usando uma samba-canção, expressando surpresa perguntou:
- Garota, o que está fazendo na minha casa à esta hora? Aconteceu algo?
- Não. Estava entediada e queria conversar. (Que deculpa ridícula.)
- Conversar à esta hora! Veio como?
- No carro do meu pai.
- Você não tem habilitação e está cheirando à uísque! Tenho certeza que seu pai não a deixou pegar o carro!
- Na verdade ele nem sabe, mas não quero falar do meu pai.
- E o que você quer?
Naquele exato momento eu queria jogá-lo no capô do carro e fazer amor com ele ali mesmo, mas disse
- Deculpe, não deveria ter vindo, vou voltar pra casa.
- Bêbada e sem carta à esta hora? Nem pensar! Já que você está aqui entre, vou guardar o carro na garagem.
Entrei e enconstei-me na pia, logo depois ele entra colocando minhas coisas na mesa e novamente perguntando:
- Então, o que você quer?
Naquele momento eu já queria jogá-lo contra a pia e tirar-lhe a samba-canção... Mas respondi enquanto colocava a garrafa de uísque na pia:
- Quero um copo.
Será que não havia nada mais estúpido para eu dizer? Ele me entregou o copo e quando coloquei na pia, ele me puxou pelo braço e me lanço sobre a mesa. Ouvi barulho de coisas caindo no chão mas não me importei, assim como não me importei quando ele rasgou meu vestido "Versace". Seu corpo estava tão quente e me beijava tão intensamente que sentia sua língua quase em minha garganta. Algum tempo depois me levou para o quarto, mas não sem antes pararmos no chão do corredor e na escadaria...
Acordei por volta das 11h, minha bolsa estava na cabeceira da cama e meu celular tocava, era meu pai. Atendi.
- Onde você está sua irresponsável? Quer matar sua mãe e a mim do coração? Cadê o meu carro?
- Eu e seu carro estamos bem, chegarei em casa hoje à noite, tchau.
Desliguei e coloquei o aparelho no silencioso, pois sabia que papai passaria o dia ligando.
À noite acabei ligando para minha mãe, lhe resumi o ocorrido e avisei que só voltaria pra casa no dia seguinte, embora tenha ficado brava e dito que não tenho juízo, ela sempre me acobertava e trataria de tentar acalmar meu pai com alguma desculpa.
Permaneci em sua casa até o fim da tarde de hoje, poderia resumir meu fim de semana naquela cama, da qual saímos apenas para tomar banho e comer. Foi ótimo, um final de semana inteiro e ainda achamos que foi pouco. Saí de lá às 17h e ele não queria me deixar voltar dirigindo. Acabei convencendo-o que não teria perigo. Dei partida no carro, coloquei um cd do "The Verve" na faixa "Love is Noise", tirei-o da garagem e parei no meio da rua, desci e caminhei em sua direção, o abracei forte, beijei-o como se fosse a última vez, olhei fundo em seus olhos claros e quis chorar. Sem dizer uma palavra voltei ao carro e segui meu rumo. Não sei porque fiz aquilo, também não sei porque ouvia uma música que dizia que amor é barulho e dor.
Chegando em casa fui recepcionada por meu pai "cuspindo fogo".
- O que pensa que estava fazendo sua vagabunda? Você só me dá desgosto! Aposto que foi atrás daquele pervertido abrir as pernas pra ele, não foi?
-Claro que não querido, nossa filha foi à casa de uma colega de faculdade, pois precisava fazer um trabalho urgente e não tinha o material necessário. (tentou encobrir mamãe)
- Fui mesmo pra casa dele! E abria as pernas "bem gostoso" se você quer saber! O jeito como ele se movia em cima de mim...
Nesse momento papai quase me bateu. Acho que ele teria perdido a cabeça se não fosse a intervenção de mamãe, como sempre. E foi aí que ele me colocou pra sentar e começou a falar sem parar. Haja fôlego, pois o coroa está falando até agora! Sei que minha irresponsabilidade vai me custar caro, mas valeu à pena. não me arrependo de nada.
Agora me lembrei de algo muito importante: Esqueci na casa dele a garrafa de "Jack Daniel’s"!

4 comentários:

  1. Esquecer o whisky é realmente imperdoável.

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  2. Obrigada, minha querida! Volte sempre! A respeito do texto debaixo: até hj meu anjo e meu demônio lutam... e o pior é que não me deixam em paz!
    Abraços!

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  3. Edu! Fiquei tanto tempo de castigo que não pude buscar meu Jack Daniel's, mas comprei outra garrafa!

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