sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Hora de arrasar

     Rolava na cama com um calor insuportável, acordei um tanto sonolenta, lavei o rosto e olhei-me no espelho. Não era eu. Talvez fosse a sombra fugaz do que fui um dia, mas não era eu, definitivamente. Aqueles cabelos brancos, as bolsas debaixo dos olhos inchados, as marcas de expressão... talvez eu devesse fazer uma cirurgia plástica, viajar pra Tailândia, ter filhos. Talvez eu devesse quebrar o espelho e dizer "foda-se" ao mundo. Mandar aquela vizinha fofoqueira para a p*** q** p****, e aquele garoto que sempre deixa a bola cair no quintal quebrando minhas plantas, enfiar a bola no meio do **. Talvez eu devesse mostrar os seios na rua em prol de algum protesto, ir a uma casa de swing, transar com uma garota e alguns caras estranhos. É fácil pensar em coisas bizarras enquanto se prepara a tinta de cabelo.
     Talvez eu devesse ser um pouco mais "eu". Melhor não, mais insuportável do que já sou, nem eu me aguentaria... Acho que virar gente seria mais interessante, mas nunca compreendi porque tenho de escutar as coisas e ficar quieta como se tivesse se tivesse culpa. Cada um tem culpa do que faz, não do que os outros fazem, além do mais, não tenho a obrigação de sair por aí sendo simpática como todo mundo, coisa mais hipócrita, sair sorrindo pra quem se detesta, isto sim é detestável. Não nasci pra ser hipócrita e nem pra ser pau mandado de macho. A verdade é que nasci com o sexo errado: deveria ter nascido homem, assim não precisaria estar com rodelas de pepinos sobre os olhos e argila na cara...
     De repente o mundo não é tão cruel quanto parece, talvez eu quem faça escolhas cruéis comigo mesma, não por masoquismo, talvez pra testar o meu próprio limite, até onde eu posso ir tentando ser igual a todo mundo, tentativa frustrada, óbvio. Frustrada mais para quem está ao meu redor do que para mim. Afinal, pouca gente entende que mulher também tem "culhões".
     Agora sim! Cabelos vermelhos e brilhantes, olhos bem maquiados e pela alva! Sabia que havia algo de errado com aquele espelho...
     Vamos sair pela noite, queridos saltos altos, é hora de arrasar!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre teu peito


     Me agarrei aos pêlos do teu peito e entrelacei minhas pernas entre as suas. O tempo é realmente implacável, nos rouba a juventude e o vigor. Olhei no relógio e tinha uma única certeza: precisava sair dali o quanto antes.
     Senti teus lábios roçando minhas costas enquanto amarrava meu vestido e subindo para minha nuca enquanto abotoava minhas sandálias... Olhei novamente o relógio, era o momento, se não fosse embora naquele instante não conseguiria mais sair de lá. Peguei minha bolsa e dirigi-me à porta, meu pulso foi segurado e uma voz máscula proferiu: -Se você for embora, não volte mais.
     Por um segundo hesitei, mas foi apenas um segundo, sem olhar para trás caminhei em direção à porta, abri-a e nem me dei ao trabalho de fechar, desci as escadas e uma lágrima ameaçou rolar. Me contive.
     Em meus contos de fadas, gostaria que ele descesse as escadas correndo e fosse atrás de mim, mas sabia que isto não iria acontecer, e não aconteceu. Voltava pra casa meio desolada, cabisbaixa, mas sabia que havia tomado a decisão certa.
     Quando chego próximo à minha residência, vejo algo surpreendente: Ele encostado no carro, no portão de minha casa, os braços cruzados e uma expressão sarcástica no rosto.
     Me agarrei aos pêlos do teu peito e entrelacei minhas pernas entre as suas.

domingo, 19 de junho de 2011

Rasgando o verbo



     -Você precisa sair desta vida, precisa se apaixonar! Sabe uma dessas paixões avassaladoras que lhe tiram o senso e a sanidade? É disso que você precisa!
     -Paixões avassaladoras levam a sofrimentos avassaladores. Não aprecio nada que tire minha sanidade.
     -Qual o problema em gostar de alguém? Em sentir o frio na barriga e o coração bater mais forte?
     -Já estive apaixonada e sinceramente, "não curti essa parada"...
     -Ainda o Andrey... Você sabe que não está com ele por sua própria culpa né?
     -Ele que é um puto e eu sou a culpada?
     -Você poderia estar casada, com filhos...
     -Quem disse que quero me algemar à alguém, e pior, procriar pra ter filho funkeiro cheirando coca ou filha bêbada dando o rabo pra todo mundo?
     -Como você é mal amada!
     -Você quis dizer racional não? Além do mais, a garota popular do colégio era eu e não você, então se há alguma mal amada aqui...
     -Qual o seu problema hein!?
     -Nenhum! Sou solteira, integente, gostosa e bem sucedida! Não quero passar o resto de minha vida compartilhando reumatismo e artrite!
     -E vai passar a vida sozinham, sem ter com quem compartilhá-la e sem deixar descendentes?
     -Minha vida é só minha! Não desejo dividi-la com outra pessoa, seria menos tempo para dedicar-me a mim! E deixar descendentes para acabar com tudo que construí? Para num futuro tomar o que é meu e me pôr num asilo? Não sei que tipo de criatura eu geraria, melhor não correr o risco. Além do mais não vou estragar meu corpo, ficar gorda, flácida, cheia de estrias e celulites pra parir ninguém!
     -Adoção?
     -Piorou! Não sei a procedência nem que genes herdou...
     -Vai ser uma velha sozinha e amarga?
     -Não estou preocupada com o que serei quando tiver idade pra pegar fila do INSS
     -Você é doente!
     -Imagine! Sou super saudável! Levo a vida do jeito que bem entendo! É assim, que sou, é assim que ajo e não quero mudar!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sua vadia


     -Sua vadia!
Virei-me e fitei seus olhos verdes, escuros e furiosos como tempestade. Abri a boca com o intuito de questionar sua indagação, mas fui interrompida antes que pudesse dizer qualquer coisa.
     -É isso mesmo que você ouviu! Você é uma vadia arrogante e esnobe! Acha que as pessoas são seus fantoches os quais você pode manipula a seu bel prazer? Você se apoia em cima de tua beleza, inteligência ou sensualidade, mas pra ser bem sincero, está longe se ser a mulher mais inteligente, culta ou bela que já tenha conhecido. Você não passa de uma menina mimada, fútil e vulgar, que se veste como uma puta e se comporta como se estivesse em leilão. Você é mesquinha, instável e insensível! É a criatura mais porra-louca que ue já conheci na vida! Só se importa consigo e com o que te beneficia. Você não tem ideia do que seja gostar de alguém de verdade, preocupar-se e dedicar-se a este alguém. Você é uma louca paranóica que vive em seu mundinho de faz de conta onde você impera. Eu nem sei como pude... Espero não cruzar teu caminho novamente Dominick. Au revoir!
     -Andrey!
     Gritei em som abafado misturado à raiva e lágrimas. Ele virou o rosto e me olhou por um instante como se quisesse voltar, mas não o fez, virou-se novamente, atravessou o saguão do hotel e fez sinal para o táxi.
     Ele nunca me ouvirá dizer que o amo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Warte Auf Mich In München


     Ninguém entende o que sinto por você e me acham uma vadia sem coração. o que as pessoas não entendem é que cada um tem sua forma de amar, esta é a minha.
     Não o deixei por falta de amor, e sim por amá-lo demais e saber que se permanecêssemos juntos acabaríamos matando o que sentimos um pelo outro. Prefiro esperar, quem sabe um dia no futuro quando formos adultos e maduros o suficiente para pararmos com jogos, sejamos sensatos o suficiente para recomeçar.
     Sinto-me uma adolescente amando pela primeira vez, ou uma garota inexperiente se apaixonado por um homem mais velho, não é este o caso, claro, até porquê sou mais insana e psicótica que você, mas é assim que me sinto quando estou contigo. O pior é que ao invés de progredir estou regredindo, tornando-me aquela criatura indesejável de outrora, a porra-louca que não se importa com nada nem ninguém a não ser si própria. E antes que você conheça este meu outro lado, estou fazendo minhas malas e voltando para Munique, quando você souber de minha partida já estarei do outro lado do oceano.
     Não encare isto como covardia de minha parte por não saber lidar com o que sinto, e sim como uma decisão sábia de alguém que te ama e não quer se magoar...
     Warte auf mich in München

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

I wannna...



     Estou me comportando bem neste ano, tão bem que estou até me estranhando. Não que eu seja uma leviana devassa, mas também não tenho uma aura acima da cabeça.
     Talvez seja a motivação, sim! Algo que vai contra meus conceitos e ideologias, algo tão difícil quanto governo brasileiro bem sucedido, porque afinal de contas, cansei do que é fácil demais, cansei do sexo "meteu, gozou, rolou"! A prova viva de que em 5 minutos se faz muito coisa, mas como ejaculação precoce não está incluída entre meus pratos favoritos... Melhor que isso é o famoso "oi minha princesa!" Será que a tradução disso seria: "oi minha putinha"?
     Vamos ao que interessa: Quantos homens interessantes você vê por metro quadrado? Se você tiver R$100,00 para pagar de entrada no Clube A, certamente verá vários, caso contrário... O fato é que os homens interessantes presentes no mercado já foram arrematados, o que ficou é só o fim da feira e eu não me contento com restos. Mas homem é que nem latinha de refrigerante: Depois que te saciou você joga fora, aparece outra que leva pra casa e recicla. Pensando assim eu já devo ter pegado muita latinha chutada por aí...
     E pensam que me inporto com estas coisas fúteis? Fútil já basta minha vida, levo 3 minutos para distinguir onde estou acordando, e na pior das hipóteses, com quem estou acordando...
     E você? Qual teu sonho de consumo?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Incógnita


     Não é por falta de amor, ou excesso dele, é simplesmente aquela velha hipocrisia inerente amalgamada a um círculo incessante de mentiras. Você pensa que sou estúpida? Que não percebo as coisas? Cansei de ver, sentir e ser!
     Seu beijo insípido já não me desperta cobiça, olho-o e sinto asco em saber que contigo já me deitei, que já senti teu gozo na minha boca, que tua língua já percorreu meu corpo, que já esteve dentro de mim. O que vejo em ti é somente um malogrado, alguém estagnado e abjeto. Acha que não tenho espelho em casa ou que faço obra de caridade?
     Se te amei já me esqueci, se te odiei apenas perdi cabelos inutilmente, se te ignoro é porque não tem significância alguma e tampouco préstimo para mim.

domingo, 31 de outubro de 2010

Homens são como objetos


     Homens são obejtos:
     Alguns você adora, outros detesta
     Ama quando ganha e logo depois deixa de lado
     Brinca, joga, quebra, estilhaça
     Sou como quer que eu seja
     Brinco com teu afeto, te disperso
     Viro tua cabeça, te enlouqueço
     Logo depois te deixo.
     Rio de tua estupidez, tua tolice
     Ajo como quer que eu aja
     Te beijo, te puxo os cabelos
     Te arranco a roupa, te bato
     Te prendo entre minhas pernas e braços
     Sinto-o movendo-se dentro de mim
     Sou como deseja que eu seja
     Sou amante, sou apaixonada
     Me visto e acendo um cigarro
     Me distraio com o que realmente importa
     Te largo, te atiro na lama
     Te descarto, só pra me divertir
     Sou o que sou
     Brinco com teus sentimentos e sentidos
     Rio de escárnio
     Procuro um novo brinquedo  
     Só pra te enciumar
     Me exponho
     Só pra te provocar
     Me embriago
     Só pra te esquecer
     Rio de tua desgraça
     Simplesmente porque não me importa
     Quero novos brinquedos
     Novas formas de diversão
     Quero correr riscos
     Só pra provar que nunca fui tua.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mulheres espertas - parte 2


     Eu sei que você quer estar com seus pezinhos macios sem aquelas indesejáveis rachaduras, mas seu namorado não precisa te ver com uma pedra-pomes esfregando os pés vigorosamente enquanto cai aquele "pozinho branco" no chão do quarto...
     É muito bacana que você queira se depilar, mas seu namorado não precisa te ver arrancando a cera das pernas e tampouco com um prestobarba na mão e seu corpo com aquela espuma branca do creme de barbear.
      Estar com os rosto bonito e sem manchas é ótimo, mas ele também não precisa lhe ver com uma máscara de abacate no rosto e duas rodelas de pepinos nos olhos!
      Eu sei que seu cabelo tem que estar sempre macio e brilhante, mas ele não precisa lhe ver com uma touca de alumínio na cabeça.
     Você faz chapinha? Quando dormir com ele, por favor não enrole o cabelo com uma meia-calça para estar lisinho no dia seguinte, teu namorado não deve achar que está dormindo com um trombadinha...
     Você emagreceu e teu vestido vermelho está largo? Então não deixe que ele veja os alfinetes de fralda de bebê que você colocou nas costas...
     Tua calcinha resolveu se "afundar em um orifício"? Vá ao banheiro e arrume! Não é pra soltar a mão do teu namorado pra enfiar o dedo lá e ajeitar no meio da rua.
     Aquela calça de moletom cujo cavalo bate quase no teu joelho (além dos buracos), com aquela camiseta enorme do Homer Simpson toda desbotada, com as meias do Tazmania Devil com furos para seus dedões respirarem que você usa em casa e acha ultra confortável... Jamais recepcione seu namorado trajando isso! Você não é a pequena órfã!
     Teu adorável namorado já viu algumas destas cenas e ainda está contigo? Então seguramente você já viu coisa muito pior...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mulheres espertas - parte 1


     -Estou aqui para ajudar, perguntem!
     -O que é o tal do exercício vaginal? Aquele negócio de contrair a vagina durante o sexo...
      -É um negócio que serve pra você tirar a camisinha durante o sexo! Contrai, segura, o pênis dele sai e a camisinha fica, é como diria "Velhas Virgens": "E foi porra pra todo lado!"
     -Por quê ele transa de meia?
     -Porquê é confortável, porquê está frio... Você não curte? Então faça assim: Quando forem transar, não tire suas pantufas de sapinho, se ele reclamar, alegue as mesmas desculpas que ele usa para as meias e ainda pergunte se não é sexy!
      -Por quê ele não faz a barba todos os dias?
      -Pela mesma razão que você não se depila todos os dias...
      -Por quê ele não gosta de me fazer oral?
      -Tu conhece Dermacid?
      -Por quê ele adora pôr o dedo no meu ouvido?
      -Sugira à ele pôr o dedo em outro buraco!
      -Já fazem 2 semanas que ele não me procura... O que será que está acontecendo?
     -Oras, ele está ocupado com a amante que faz aquilo que você não faz.
     -Outro dia ele sugeriu que fizéssemos sexo à três, eu ele e mais uma mulher, achei um absurdo!
     -Você é tapada? Diga que adorou a idéia, mas só se for com um homem no lugar da mulher!
     -Mas eu defendo arduamente a monogamia!
     -Por quê transar com apenas uma pessoa se você pode transar com várias? É muito mais legal, todo mundo junto!
      - O que você faz pra ter essa pele tão bonita?
      - Sexo!
      -E como consegue ser magra comendo tanto?
      -Fazendo muito sexo!
      -Quais as três coisas que você mais gosta?
      -Sexo, homem, sexo!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Way ahead of you...



Nada que eu sentia poderia fazê-la gostar de mim. Convenhamos, eu sou um cara qualquer. Eu fiz o que eu achava possível. Eu fiz o que vi em diversos filmes adultos. Mas aparentemente ela não se contentava. Ela queria mais. Ela queria uma pessoa que eu não achava possível ser. Ela queria transar com Lúcifer.///

Eu havia provado tudo que fora possível experimentar, todas as formas de sexo no seu mais complexo sentido, nada mais me saciava, queria algo novo, diferente, algo que eu jamais pudesse imaginar.///

Ela me parecia experiente, mais do que eu gostaria de admitir. Meneou a cabeça para o lado em êxtase, como se quisesse provar para mim que eu era ótimo. Ela mentia! Descaradamente. Eu me senti péssimo. Queria dizer-lhe milhões de coisas. Queria dizer-lhe que a amava, que nunca havia sorvido alguém como a sorvera. Que ela era Athenas, que ela era Aphrodite em pessoa. Mas acendi um cigarro, infeliz.///

Eu esperava desmaiar de êxtase, achei que apesar de aparentar certa inexperiência, poderia me surpreender, mas foi tão comum quanto um xaveco barato, fingi sentir o que não sentia para não desapontá-lo, de alguma forma incoerente, havia algo nele que me atraía.///

O beijo! Sim, tinha de ser o beijo. Aqueles lábios envolvendo meu queixo... se não fosse aquilo, nada seria. Ela mentia. Porra, eu queria ser mais homem. Eu estava me sentindo diferente do que eu era. Eu tentei, e falhei. Quando a raiva, o ódio, acometeu meu corpo trêmulo e eu, atirando para o lado o cigarro aceso, agarrei-a pelo pescoço com toda a força que consegui juntar nos dedos, eu percebi...///

Eu chorei, mas não era de raiva ou de desapontamento, naquele momento eu não sabia a razão, fitei seus olhos vermelhos de ódio, nunca havia visto tanta fúria em seu olhar, tentava em vão tirar suas mão de minha garganta, estava quase sem ar...///

Ela lacrimejava seu prazer para fora de seus olhos, me pedindo mais. Eu não era eu mesmo. Reitero. Eu era o que ela desejou que eu fosse. Mas naquele instante onde ela envergou para trás e gritou meu nome eu tornei-me seu veneno. Mordi seu corpo, finquei as unhas em suas costas. Ela respirou. Eu não.///

Senti algo que nunca havia sentido antes, a dor mesclada a um prazer intenso, incessante, por um instante perdi a consciência. Ao recobrar os sentidos, senti um líquido quente escorrendo por minhas mãos - sangue? quem me dera - mas não me importei, eu só queria que ele não parasse, eu gemia e gritava...///

Algo gritava na minha cabeça. Não somente a raivosa voz de Shirley Mason às caixas de som, mas algo que eu tinha medo de encarar? Medo? Eu devia estar brincando. Eu não era eu mesmo, afinal. Eu era mais. Eu era um modelo grego. Caralho, eu era Apollo. Eu era... dela. E nada naquele momento me diria ao contrário.///

Fui lançada rudemente à cama, não conseguia mover um músculo sequer, se aquilo era transar com o diabo eu poderia viver no inferno eternamente. Sussurrei que o amava, mas acho que minha voz não soou clara o suficiente para ser ouvida, o que era aquele ser na minha frente?///

Foi quando ela fechou os olhos e seu calor interno fez-se presente em meu corpo que eu voltei aos sentidos reais. Arfava incontrolável. Deitei ao seu lado e passou pela minha cabeça perguntar-lhe o que tinha dito. Não consegui. Acendi um cigarro e entreguei para ela. Acendi outro. Olhamos para o espelho do teto. Não havia espelho no teto. Você entendeu.///

Não éramos nós mesmos, éramos aquilo que desejávamos ser um para o outro. Eu podia escutar as batidas aceleradas de seu coração, a respiração densa, o cheiro do seu suor na minha pele mesclado ao sangue coagulado, não conseguia sequer tragar o cigarro.///

Ainda sentindo o sabor de sua pele na minha boca amarga, tombei meu rosto ao dela. Ela sorriu, inconsequente. Eu sorri, arrependido. E ela disse a última frase que escutei enquanto era um homem são:///

-Eu ainda o amo... de alguma forma ainda te amo...///

Hoje eu arrisco apenas a dizer que Madame Piaf estava certa: C'est toi por moi, moi pour toi dans la vie, Il me l'a dit, m'a juré pour la vie... je vois la vie en rose.///



quarta-feira, 17 de março de 2010

Rumo a Curitiba


Estava entediada e resolvi ir pra Curitiba às 3h da manhã, (desde que entrei na fase adulta desenvolvi um gosto por dirigir de madrugada e embriagada). E lá estava eu, bela e fresca dirigindo meu sedan na Regis Bittencourt ao som de Pink Floyd. Estava cansada de tudo, tenho carro e dinheiro, então por que ficaria em casa sozinha vendo programas de TV estúpidos, olhando para o relógio esperando o tempo passar (e pior: sem sexo).
Às 7h10 da manhã colocava meus pés no Araucária Palace, na rua Amintas de Barros; Foi a primeira espelunca que vi em Curitiba quando o efeito do álcool já se amenizava. Felizmente o bar estava em funcionamento, pedi uma dose de Baileys e enquanto degustava minha bebida, um babaca de meia idade se aproxima puxando assunto, dando um de intelectual, falando de Nietzsche e eu quase dormindo. Tomei o último gole do meu licor, avaliei de alto á baixo a criatura na minha frente (até que era charmoso) e proferi: - Cara,se você estiver afim de transar vamos pra minha suíte, caso contrário, vou subir sozinha pois estou bem cansada. Ele respondeu: - Desculpe, eu só queria conversar, não me leve a mal, mas não transo com prostitutas,acho que sexo tem que ser com sentimento, desculpe. O cara se levantou e eu o chamei: -Ei, não sou prostituta não meu! E sexo se faz quando 2 (ou mais) pessoas têm vontade, sentimento é só algo que serve para as pessoas de bom coração se martirizarem enquanto o resto se diverte!
Me levantei e fui pro meu quarto só. Acendi um cigarro frutado e ri sozinha da ignorância alheia.

terça-feira, 9 de março de 2010

Vermelho


E um dia eu parei de andar em círculos. Concluí que levava uma vida levianamente mesquinha, quase insossa. E não falo por acordar dias à fio com aquele gosto de absinto na boca, levando mais outros longos dias para lembrar-me de minhas travessuras noturnas. Vagava por tantos lugares diferentes, em busca não sei de quê, talvez de mais adrenalina. Mas o caso é que sempre acordava no mesmo lugar: Deitada numa cama de solteiro, as paredes brancas, as miniaturas na prateleira, o perfume Armani na cabeceira junto ao Tarot, definitivamente aquele não era meu quarto, nem minha casa, mas o casaco na cadeira era meu. Agora acabou! Parei de correr sem sair do lugar! Agora acordo com gosto de cabo de guarda-chuva na boca, atravessada numa cama Queen em um quarto vermelho sangue, olhando para a blusa pendurada no meu guarda-roupa: Ela não é minha.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jack Daniel's e Carlton


O domingo já está acabando e meu pai não pára de esbravejar há umas duas horas. Sou capaz de ver sua boca espumando como a de um cão raivoso, e para falar a verdade, não estou prestando atenção em uma palavra do que ele diz. Tudo começou sexta-feira à noite...
Terminei o trabalho da faculdade por volta de 1h da madrugada, estava sem sono, então coloquei um cd do "Heart", abri uma garrafa de "Jack Daniel’s", acendi um "Carlton" e fiquei sentada no quintal olhando a lua que mais parecia um grande queijo Emmenthal. Após quase meia garrafa de uísque tive uma idéia: Voltei para o quarto, coloquei o primeiro vestido que vi, peguei uma bolsa, coloquei roupas e outras coisa que julguei precisar como cigarros e cds, a pus no ombro aberta mesmo, peguei a garrafa de Daniel’s, celular, chaves do carro, joguei tudo no banco do passageito e assoalho. Liguei o carro. Enquanto o portão se abria me perguntei o que estava fazendo. Ignorei, coloquei um cd do "Kansas" e ao som de "Carry On My Wayward Son", às 2h da manhã dirigia embriagada rumo à casa dele...
Parei o carro na frente de sua casa, olhei no relógio: 2h40. Acendi um Carlton, tomei mais alguns goles de uísque, acendi outro cigarro. Ganhava coragem para tocar a campainha, estava preparada para escutar qualquer coisa, afinal, não era hora de se fazer visita. Saí do carro e toquei a campainha, alguns minutos depois ele apareceu com cara de sono e usando uma samba-canção, expressando surpresa perguntou:
- Garota, o que está fazendo na minha casa à esta hora? Aconteceu algo?
- Não. Estava entediada e queria conversar. (Que deculpa ridícula.)
- Conversar à esta hora! Veio como?
- No carro do meu pai.
- Você não tem habilitação e está cheirando à uísque! Tenho certeza que seu pai não a deixou pegar o carro!
- Na verdade ele nem sabe, mas não quero falar do meu pai.
- E o que você quer?
Naquele exato momento eu queria jogá-lo no capô do carro e fazer amor com ele ali mesmo, mas disse
- Deculpe, não deveria ter vindo, vou voltar pra casa.
- Bêbada e sem carta à esta hora? Nem pensar! Já que você está aqui entre, vou guardar o carro na garagem.
Entrei e enconstei-me na pia, logo depois ele entra colocando minhas coisas na mesa e novamente perguntando:
- Então, o que você quer?
Naquele momento eu já queria jogá-lo contra a pia e tirar-lhe a samba-canção... Mas respondi enquanto colocava a garrafa de uísque na pia:
- Quero um copo.
Será que não havia nada mais estúpido para eu dizer? Ele me entregou o copo e quando coloquei na pia, ele me puxou pelo braço e me lanço sobre a mesa. Ouvi barulho de coisas caindo no chão mas não me importei, assim como não me importei quando ele rasgou meu vestido "Versace". Seu corpo estava tão quente e me beijava tão intensamente que sentia sua língua quase em minha garganta. Algum tempo depois me levou para o quarto, mas não sem antes pararmos no chão do corredor e na escadaria...
Acordei por volta das 11h, minha bolsa estava na cabeceira da cama e meu celular tocava, era meu pai. Atendi.
- Onde você está sua irresponsável? Quer matar sua mãe e a mim do coração? Cadê o meu carro?
- Eu e seu carro estamos bem, chegarei em casa hoje à noite, tchau.
Desliguei e coloquei o aparelho no silencioso, pois sabia que papai passaria o dia ligando.
À noite acabei ligando para minha mãe, lhe resumi o ocorrido e avisei que só voltaria pra casa no dia seguinte, embora tenha ficado brava e dito que não tenho juízo, ela sempre me acobertava e trataria de tentar acalmar meu pai com alguma desculpa.
Permaneci em sua casa até o fim da tarde de hoje, poderia resumir meu fim de semana naquela cama, da qual saímos apenas para tomar banho e comer. Foi ótimo, um final de semana inteiro e ainda achamos que foi pouco. Saí de lá às 17h e ele não queria me deixar voltar dirigindo. Acabei convencendo-o que não teria perigo. Dei partida no carro, coloquei um cd do "The Verve" na faixa "Love is Noise", tirei-o da garagem e parei no meio da rua, desci e caminhei em sua direção, o abracei forte, beijei-o como se fosse a última vez, olhei fundo em seus olhos claros e quis chorar. Sem dizer uma palavra voltei ao carro e segui meu rumo. Não sei porque fiz aquilo, também não sei porque ouvia uma música que dizia que amor é barulho e dor.
Chegando em casa fui recepcionada por meu pai "cuspindo fogo".
- O que pensa que estava fazendo sua vagabunda? Você só me dá desgosto! Aposto que foi atrás daquele pervertido abrir as pernas pra ele, não foi?
-Claro que não querido, nossa filha foi à casa de uma colega de faculdade, pois precisava fazer um trabalho urgente e não tinha o material necessário. (tentou encobrir mamãe)
- Fui mesmo pra casa dele! E abria as pernas "bem gostoso" se você quer saber! O jeito como ele se movia em cima de mim...
Nesse momento papai quase me bateu. Acho que ele teria perdido a cabeça se não fosse a intervenção de mamãe, como sempre. E foi aí que ele me colocou pra sentar e começou a falar sem parar. Haja fôlego, pois o coroa está falando até agora! Sei que minha irresponsabilidade vai me custar caro, mas valeu à pena. não me arrependo de nada.
Agora me lembrei de algo muito importante: Esqueci na casa dele a garrafa de "Jack Daniel’s"!

terça-feira, 2 de março de 2010

My body...


Eu visto um curtíssimo vestido preto, salto agulha, maquiagem carregada, pressinto que algo irá acontecer e mesmo assim insisto em sair de casa.
Entro no bar e peço uma vodka, acendo o cigarro, olho à minha volta: Tudo tranqüilo. Relaxo acreditando que o pressentimento não passara de paranóia minha. Sigo para o andar superior e antes de sentar-me a mesa paro, gélida, o coração disparando, permaneço quase em transe diante do homem que vejo. Embora o odeie, tenho consciência de que ele exerce um inexplicável magnetismo sobre mim. Ele exala fogo e paixão, e eu fúria e veneno.
Ele está se aproximando... Eu não consigo sequer sair do lugar, nem ao menos raciocinar quando escuto uma voz: - Precisamos conversar.
Era a última coisa que precisava ouvir! Não queria conversar com aquele homem incontestavelmente charmoso e canalha! Só queria que desaparecesse de minha frente e de minha vida. Há uma linha tênue entre o amor e o ódio, eu sentia ambos. Havia dezenas de coisas entaladas em minha garganta e eu explodi: Gritava e esbravejava tudo o que pensava a seu respeito quando ele se cansou e jogou-me o copo de whisky que tinha em mãos. Antes que pudesse protestar lançou-me contra a parede... Senti seu corpo másculo quase esmagando o meu, o perfume amadeirado, o whisky escorrendo por minhas pernas... Ele sussurrou algo obsceno no meu olvido que fez meu corpo estremecer. Eu precisava fugir dali, tentei pensar em algo e senti a pressão de seus lábios contra os meus, a língua me invadindo a boca, as unhas me rasgando as costas nuas. Não consegui pensar, não consegui reagir, o corpo não quis obedecer a minha mente. Embriagada pelo êxtase que se apoderara de meu corpo frágil, desisti de tentar resistir.